
A Evolução histórica dos meios de comunicação.
A comunicação “fala a língua de várias ciências, artes e ofícios”, afirma Diderot, isto é com ela temos a capacidade de aprender, ensinar, partilhar, remetendo-nos para a ideia de comunidade e continuidade. Não é fechado em nós mesmos, é a busca para a melhor compreensão do que nos rodeia.
Ora a comunicação tal qual como a conhecemos nem sempre foi assim, em cada época histórica e cada tipo de sociedade possuem diferentes configurações que se distinguem e que continuam evoluindo interligadas.
Jean Cloutier, diferencia quatro fases da evolução da comunicação, que passo a caracterizar relacionando-as com a aprendizagem que foi evoluindo paralelamente à comunicação.
A Comunicação Interpessoal, teve inicio com o Homo Sapiens e no momento que aprendeu a exteriorizar as suas ideias, desejos e necessidades, graças ao gesto começou a associar a articulação de sons e tendo como referência o meio ambiente imediato.
O homem era, assim, o único médium de comunicação, o alcance da mensagem é limitado à sua capacidade auditiva e visual, para vencer esta limitação de deslocamento, surge neste contexto o mensageiro, ele vai levar o conteúdo da mensagem e passa-la para outro. A duração também é limitada pois esta irá ser reproduzida até ao final de vida do médium. Esta mensagem era passada de uns para os outros através de contadores que assumiam o papel de memória do
tempo.
O conhecimento era feito em casa, junto da família e da comunidade, os pais ensinavam os filhos a caçar, pescar e sobreviver no meio onde estavam inseridos. Este modelo permanece até aos dias de hoje, onde junto da família são passados os principais valores sociais, morais, religiosos fundamentais para o desenvolvimento do individuo.
A segunda fase, comunicação de elite, assim designada por Cloutier, chama-se linguagens de transposição. O aparecimento da escrita associa-se a estádios de civilização de sociedades humanas sedentarizadas, urbanizadas, e com uma indústria e comercio desenvolvidos, necessitando por conseguinte de novas formas de comunicação e de novos processos de intelectualização humana.
A escrita rompeu com o espaço e com o tempo e estava reservada a um número limitado de pessoas, só poderia ser descodificada por aqueles que tinha o conhecimento especializado para o compreender, dai a ser uma comunicação de elite.
A sua aprendizagem tardou, por estar associada a um instrumento de controlo de populações por parte de Estados Régios e de instituições religiosas. A escola aparece ligada ao progressivo uso da linguagem escrita e expande-se para facilitar a transmissão de conteúdos requeridos pela crescente complexidade das sociedades a industrialização foi o ponto de viragem no ensino da leitura e escrita.
A escola passa a ser o espaço de aquisição do saber e das capacidades da construção de personalidade e da socialização do individuo.
Até aos dias de hoje, o modelo de funcionamento das escolas está orientado por estas premissas, o toque de entrada, tal como nas fábricas, impõe a regra de inicio do estudo, o horário das 9 às 17, também igual ao horário de trabalho fabril. No meu entender um dos problemas da escola actual, é a falta de adaptabilidade à sociedade de hoje, com horários de aprendizagem mais flexíveis, objectivos diferentes a nível de aprendizagem e dinâmicas na
transmissão do conhecimento, promoção do auto-estudo acompanhado.
Com a industrialização, o livro tornou-se um objecto de consumo produzido em larga escala e acessível a todas as camadas da população. Passa-se de uma configuração em que o âmbito de comunicação estava circunscrito a um reduzido número de receptores para um âmbito extremamente elevado de receptores. A edição multiplica a mensagem, reproduzindo-a até ao infinito, a difusão leva a mensagem a qualquer lugar de uma forma quase instantânea. O
tempo e o espaço são transpostos pelo homem.
Este estádio de desenvolvimento da comunicação não está limitado aos seus inventores, mas a toda a civilização que difundiu, utilizou e massificou de modo a que os níveis de conhecimento fossem cada vez mais globais e abrangentes.
Estes meios têm uma característica comum, a emergência de uma configuração global, a multiplicação através da produção de cópias e a sua rápida difusão. É com esta amplificação da informação, através da popularização do livro, do jornal, do cinema, da rádio e da televisão (ver caixa de texto) junta-se à família e à escola um novo transmissor de conhecimento e de atitudes, o conceito de escola paralela, foi descrito pela primeira vez por Friedman.
A escola paralela, consiste na aprendizagem pela recepção de informação destes novos meios de informação emergentes, que de certa maneira, estimularam as mentes de quem estava limitado ao seu espaço envolvente , local, e dão a conhecer de uma forma rápida tudo o que se passa fora do mesmo. A recepção de informação destes meios, faz com que se discutam temas até então não falados ao nível local.
A evolução tecnológica permite que cada um de nós faça parte de uma sociedade informativa, em qualquer ponto do globo, designa-se self media, a possibilidade de se dispor de uma serie de meios tanto para receber como para enviar informação.
SELF MEDIA – "os Self Media surgiram após o apogeu dos Mass Media, isto foi possível devido ao desenvolvimento de equipamentos baseados em novas tecnologias de suporte de informação a custos acessíveis para um grande público. Os Self Media são instrumentos que permitem a criação e o acesso à informação por selecção, reprodução e registo individual.
Este médium é caracterizado por estar disponível através de uma vontade de procura
orientada por classes ou grupos de interesse, e ainda por o produtor e o receptor da
informação poderem ser o mesmo agente. Isto é, cada um dos utilizadores da informação é, em simultâneo, o seu produtor. Os Self Media possuem suporte na audiografia, fotografia, reprografia, audiovideografia e multigrafia." ("A Era de Emerec", Jean Cloutier: 1975)
A comunicação individual através dos self media introduz o Homem num universo multidimensional, o individuo deixa de ser um mero espectador para se converter em emissor e processador da informação. A capacidade de interligação destes equipamentos entre si, dando origem às redes informáticas permitiu a sua utilização colaborativa, a escola paralela, dá lugar à autoeducação.
A possibilidade tecnológica de inverter o tradicional e dominante sentido da comunicação, o domínio da interactividade é parte da natureza do emissor/receptor. Esta configuração comunicativa o aluno passa de um ser passivo a um ser activo na busca do seu conhecimento, o professor passa de emissor privilegiado mas sim o orientador do conhecimento, o ensino torna-se mais linear, transversal a todas as comunidades dentro e fora da escola . O espaço e o tempo, são completamente eliminados.
A escrita, tal com a conhecemos, é também melhorada, com a introdução do hipertexto, redireccionando por palavras chave para documentos complementares, que nos dão informações mais completas, sobre determinado assunto, que estamos a pesquisar ou a documentar, é um motor de interactividade.
As comunidades virtuais, abrem assim a porta para uma educação mais flexível, dinâmica, enriquecedora, pois o aluno, vai pesquisar sobre assuntos do seu próprio interesse, e a variedade de informação vai fazer dele, um individuo curioso e pró-activo na sua vida pessoal e profissional, na busca do seu autoconhecimento.
Num mundo em que as realidades mudam de um dia para o outro a imposição de horários, temas a aprender e discutir, conteúdos estáticos,
não fazem sentido, nem despertam o ser humano para a era Global que vivemos. Assim como existiu a massificação da informação através dos media, é necessário que as comunidades virtuais ganhem a força para serem encaradas como o presente e não como o “futuro que há-de vir”.
A fotografia pode ser classificada como tecnologia de confecção de imagens e atrai o interesse de cientistas e artistas desde o seu começo.
A fotografia pode ser utilizada no processo de investigação do quotidiano dos nossos estudantes, a fim de que mediante as imagens obtidas da escola, da família, da vizinhança, da cidade e das coisas que os cercam, eles sejam orientados, através de uma metodologia específica, para análise e estudo desses “momentos documentados” e suas correlações históricas, sociais, geográficas, étnicas e económicas; na educação, a simples disponibilidade
do aparato tecnológico não significa facilitar o processo ensino - aprendizagem, é preciso que o professor alie os recursos tecnológicos com os seus conhecimentos e estratégias de ensino, visando alcançar um objectivo:
o conhecimento real da imagem fornecida através da fotografia. Álbuns virtuais – com a popularização da fotografia digital, surgem sites especializados em armazenar fotografias, onde estas podem ser vistas e partilhadas por qualquer pessoa no mundo.

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